Mosca. Moscona. Era meu apelido na escola . Se eu gostava? Claro que não, ué. Mas me caracteriza. Eu vivia com a mente bem longe do lugar onde eu estava. E estar apenas de corpo presente não é uma coisa muito simpática, principalmente quando você deixa cair a bola num jogo de vôlei e o time perde ponto, ou quando a pessoa fala, explica, pergunta e você: hã? Continuo moscona por interesse próprio. Mas aprendi a disfarçar. Tem uma outra: a do Raul Seixas. Pra quem não conhece:

Eu sou a mosca
Que pousou em sua sopa
Eu sou a mosca
Que pintou prá lhe abusar...
Eu sou a mosca
Que perturba o seu sono
Eu sou a mosca
No seu quarto a zumbizar...
E não adianta
Vir me detetizar
Pois nem o DDT
Pode assim me exterminar
Porque você mata uma
E vem outra em meu lugar...

Também me serve. Sou meio assim, incomodativa. Já fui mais varejeira, ou pior: mutuqueira. Hoje tou mais pra drosófila. Elas nascem a partir das bananas, coisa aparentemente sem sentido (e cada um que tire daí a metáfora do seu gosto). Já fui mata-moscas. Sete de um só golpe (ou mais de sete, com aqueles papéis envenenados). Já fui picada pela mosca-azul. Já vi The Fly. Mas concordo com Kafka: Nada pior o que uma metamorfose em barata. Por fim, tem um projeto de tatuagem que eu iniciei em 2007. Serão ao todo sete moscas grafadas: a primeira, no braço direito; a segunda fiz em 2009, atrás do pescoço. As moscas são mais difíceis de pegar do que um apelido. Grafar uma mosca no corpo significa dizer: eu estou - ou sou esta - aqui, por enquanto, mas daqui a pouco... Expliquei? Enquanto você me entende, vê se eu sou uma dessas aí embaixo.

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